Nota ao Tempo

Lembro hoje que meu desejo maior há dois anos era terminar a faculdade, parar com as as minhas mil e uma atividades só para ter tempo.
Hoje, tenho todo o tempo que desejei, e a única coisa que faço é preencher esse tempo de forma a não pensar. Não pensar em todas essas maluquices que me atormentam. Não pensar em você.

Piegas

Desculpe-me, sei que estou agindo erroneamente com você(s). Mas é medo. Confesso que estou me protegendo de você(s). Sabe, é medo da mágoa e não de tentar. É medo do que pode acontecer. Então prefiro nem tentar o próximo passo com você(s).
Já te falei o quanto esse seu sorriso me encanta, não é mesmo? E essa sua alegria então, como me cativa! Teus olhos... ah! Os teus olhos puxados. Motivos para a minha total falta de ar, e de palavras. Teu companheirismo. Tua companhia. As conversas inúteis e você falando “como fala besteira esse menino”. As conversas cheias de intelectualidade onde eu me sentia superior quando você dizia “me ensina física quântica?”.
Sei que estou sendo um completo idiota, deixando você(s) passar pela minha vida dessa forma, tão rápida. Mas entenda(m) menina(s), que eu faço isso para que você(s) continue pelo menos por perto. Só sei que não quero ferir-te, quando sentir que te amo, sair pela porta, e nunca mais voltar, para me defender do teu sorriso a me alegrar, dos teus olhos a me seguir, da tua(s) boca(s)a me beijar.
Deixo você(s) livre, para me enciumar ao ver outros no meu lugar. Deixo você(s) livre para aproveitar a vida e toda essa festa.
Quando o medo passar, vou te procurar. Mas espero por hora, que você(s) saiba o quão importe você(s) é em minha vida. Sempre me lembrarei dos teus olhos nas luas cheias e de teu sorriso ao nascer do sol.

Escolhas



Como falta inspiração para escrever, deixo ai uma musica que fala muito do que vivi e estou vivendo. Das escolhas que tive de fazer, dos rumos que tomei.

Amanhecer

De onde vem toda essa liberdade? Não importa, preciso apenas senti-la, como suor na pele num dia quente, que escorre, molha, incomoda, mas te faz lembrar que está vivo. E é só essa liberdade que me acompanha agora, já que me desapeguei de todo o resto, já que não me importo com o todo que me cerca. Às vezes um lamento seco ao ver meus célebres companheiros de outras jornadas cometerem os mesmo deslizes, erros do passado, ou ainda ao se tornarem impassíveis diante dos fatos.
Me basta ser livre e saber que sou livre. Que alço vôo com minhas próprias asas e pouso quando quero. Satisfaço minhas vontades de carne, me anestesio de lúpulo e cevada, busco a embriagues ensurdecedora das músicas de outrora e agora. Faço o que faço sem questionar a não ser a mim mesmo, meus princípios que não tendem a fim algum.
Aprecio de toda a solitude das manhãs sem querer como companhia nada mais que o sol cegando a visão. Cresço na ordem que me convém, nem sempre para cima se o alto não me for favorável.
Alimento a alma com meu egoísmo. Egoísmo de ser eu mesmo. Egoísta de querer eu para mim mesmo. Egoísta para sobrepujar minha liberdade acima de qualquer outro sentimento. Todavia, eu sinto. Não questiono, apenas deixo sentir.
E o caminho se tornou um só, Só.

Linha Azul

Era o caos. Ainda não tinha idéia do que viria, mas descendo do ónibus, aquela balburdia de sempre, pessoas se atropelando e eu ali, sabendo que se não entro no ritmo sou arrastado de qualquer forma. As escadas rolantes paradas já denunciavam algo errado. Então, descendo lentamente vou percebendo a multidão que se aglomera no corredor que dá acesso ao embarque. Uma voz do além esclarece minha dúvida, que nem sequer havia surgido por inteira: Atenção senhores usuários, por motivos de falha em um dos trens na estação São Joaquim, as atividades entre as estações Jabaquara e Sé estão paralisadas”. Agora estava eu no metrô, tentando chegar ao trabalho, as 7:10 da manha e estava tudo parado. Ainda tentei arrumar uma outra forma de chegar ao meu destino, mas fui informado que não havia linha de ônibus para onde ia. Só me restou esperar. Acompanhado da “Nudez da Verdade” do Sabino, me distrai. Mas ainda sim fiquei cautelosamente reparando nas pessoas ao meu redor. Impacientes telefonemas para colegas e chefes, um rapaz ligava para um amigo pedindo para avisar ao professor que não chegaria para a prova, e eu pensando “esse professor não vai cair nessa, apesar de ser verdade”. A multidão se aglomerava e se empurrava. Eu estava em um corredor afastado, mas via tudo com olhos clinicos. Abordado por várias vezes pelos meus companheiros de espera, repassava a notícia que era dada a cada dois minutos nos auto-falantes.
Uma loira, alta, esquia, linda por assim dizer desce pelo corredor onde estou, se depara com a multidão, e com a mesma fisionomia volta por onde veio. Sigo-a com os olhos pensando que no meio daquela algazarra toda, ainda havia algo de bonito para se ver.
O engraçado de estar no metrô, e isso não acontece somente quando o metrô está com problemas, é encontrar sempre as mesmas pessoas. São os conhecidos desconhecidos de todos os dias. Encontrei com alguns hoje, mesmo estando a muito tempo sem passar por essas bandas. Me chamou a atenção uma japonesa gorda e loira, além de ser uma dessas conhecidas desconhecidas, ela é japonesa, gorda e loira. Até um conhecida de outros tempos passou por mim, sem me ver, com a cara de atraso que era comum a todos ali. Pensei em chama-la, mas a bagunça era tanta que preferi não faze-lo.
É claro que não pode faltar as famigeradas brigas nesses locais. O clima é propício, um esbarrão, uma pisada no calcanhar e lá começa os gritos e xingamentos. Passam por mim duas mulheres, seguidas de longe por uma outra que começa a berrar “Ei, ei!! Você ai!” e interrompendo o caminho das duas fala “Qualé a sua hein?! Porque tava me empurrando lá atrás?!”. Continuaram andando e eu já não conseguia ouvir o que diziam, pois a multidão se revezava entre risos e gritos.
Um senhora ao meu lado encontra um professor do seu filho, deficiente mental ao que notei. A mulher, coitada, tem que chegar em um determinado hospital em Guarulhos as 10 da matina, e o relógio já marca 8 e pouco. E fica ali, contando para o paciente professor toda a saga de sua luta com o filho doente.
E eu? Bem, eu to acompanhando do Telmo e sua saga nú pelas ruas de Ipanema.
Aos poucos a situação vai voltando ao normal, a voz do além já dia que o problema com o tal trem foi resolvido e as atividades estão sendo retomadas e que em breve tudo estará normalizado.
Aguardo mais alguns minutos e pego a fila. Sou atropelado por uma senhora imapaciente, mas relevo. Me sinto com gado indo para o abatedouro. Na fila para as catracas, uma voz ganha destaque aos berros, e o que eu pude ouvir foi “Eu uso isso aqui todo dia, eu pago isso aqui!!!!”. Era um rapaz gritando, com toda sua voz afeminada, com um funcionário do metrô. E uma outra voz apenas resumiu todos as risadas, piadas, protestos: É uma bixota!
Então, finalmente entro no trem, pensando que agora sim, as coisas se normalizariam. Mas eu estava muito compenetrado na minha analise dos passageiros. Há minha frente, sentada, uma jovem começa a seção de maquilagem. Me espantou a agilidade da moça e a destreza com que fazia aquilo independente do trem estar ou não em movimento. Notei que ela não era bonita, mas vestia um social simples, e depois de terminada a maquilagem pude ver seus notórios olhos verdes, que acompanhavam muito bem seus fortes cabelos vermelhos amarrados em coque no topo da cabeça. Ainda lembro que ela possuia uma feição triste, o que me intrigava. Pois, apesar de não ser tão bonita, era uma pessoa que chamava a atenção, por assim dizer. Atrás de mim, um loira oxigenada de cabelos curtos, calça xadrez e sapatos boneca. Essa sim valeu a pena esperar duas horas para pegar o metrô, e não preciso dizer mais nada. Até uma jovem de cabelos laranjas naturais me chamou a atenção por 3 segundos, me lembrou um amigo.
Um senhor esbarra em mim enquanto passa para se deslocar de lugar, e prontamente pede desculpas, ao meu ver desnecessárias, mas dada a situação de caos, é até compreensivel.
Depois de três horas e meia eu chego ao meu trabalho, e já estava no ultimo capitulo do livro. E já aqui pensei “devia ter tirado a minha roupa naquela zona e ter feito com o Telmo”. Já que as coisas estavam tão anormais, só pude rir de mim mesmo.

Da volta



No momento que eu parti, fui chamado para voltar...

Shimoda

Eu ia escrever um texto explicando de onde veio o nome do blog, mas o Raul fez isso muito melhor:


Só deixo a frase que mais gosto:
"Nunca lhe dão um desejo sem também lhe darem o poder de realizá-lo. Você pode ter de trabalhar por ele, porém"

Destruindo

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Jeferson Gota Cotrim
O pecado original é limitar o ser, não o faça.
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